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Governo Federal discute linha de financiamento para ajudar equipes e SAFs diante dos possíveis impactos provocados pelas mudanças no mercado de apostas esportivas
Data: 26/09/2026 - Por: Da Redação
O futebol brasileiro pode ganhar uma nova alternativa para reorganização de suas dívidas. O Governo Federal discute com representantes de clubes e das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) a criação de uma linha de crédito que pode chegar a R$ 20 bilhões.
A iniciativa está relacionada às mudanças previstas para o mercado de apostas esportivas e aos possíveis impactos sobre as receitas dos clubes. As empresas do setor se tornaram importantes patrocinadoras do futebol brasileiro nos últimos anos, ocupando espaços de destaque em uniformes, competições e propriedades comerciais.
A estimativa apresentada nas discussões aponta que os clubes podem deixar de receber aproximadamente R$ 1 bilhão por ano somente com contratos de patrocínio vinculados às casas de apostas. A redução das receitas também pode atingir outras áreas comerciais do futebol.
O modelo estudado pelo governo não prevê o repasse direto de dinheiro público aos clubes. A proposta é criar uma estrutura de financiamento com participação do BNDES e de instituições financeiras credenciadas, permitindo que as equipes troquem dívidas com juros elevados por operações com condições mais favoráveis.
Clubes tradicionais e SAFs poderão participar da iniciativa, desde que cumpram os critérios que ainda serão definidos. A intenção é estabelecer mecanismos que permitam a reorganização das contas e o alongamento dos compromissos financeiros.
Entre as despesas que poderão ser contempladas estão débitos trabalhistas, direitos de imagem e pendências com órgãos como Receita Federal, INSS e FGTS. Também está prevista a possibilidade de refinanciar empréstimos bancários já existentes.
Outra frente discutida é a utilização de parte dos recursos em investimentos estruturais, especialmente nas categorias de base. Em contrapartida, o financiamento teria restrições para evitar que os valores sejam utilizados em despesas como salários correntes, contratação de jogadores ou distribuição de lucros.
O prazo de pagamento também está entre os pontos analisados. O modelo discutido prevê financiamentos de longo prazo, que poderiam chegar a 20 anos, além de um período de carência antes do início dos pagamentos.
As tratativas envolvem integrantes do Governo Federal, dirigentes de clubes, representantes de SAFs e entidades ligadas ao futebol. A CBF também participa das articulações.
Apesar dos avanços nas conversas, o pacote ainda está em fase de construção. O valor total, as taxas de juros, os critérios para adesão e as demais condições da linha de crédito dependem da conclusão das negociações e da definição do formato jurídico para colocar a medida em prática.