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A obra destaca desafios para proteger as florestas e as cidades no combate aos incêndios, traz a crise climática, o aumento da temperatura e é um guia para a produção de Legislações e Políticas Públicas no Estado e nos 142 municípios de MT
Data: 10/07/2026 - Por: Da Redação
O mês de julho, marcado pelo Dia de Proteção às Florestas, celebrado em 17 de julho, amplia o debate sobre a necessidade de preservação ambiental diante dos avanços da crise climática. Nesse cenário, o livro “Indicadores do Clima em Mato Grosso”, lançado pelo Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação, surge como uma importante ferramenta para compreender os impactos das mudanças climáticas no Estado e orientar ações de enfrentamento.
A publicação apresenta um diagnóstico detalhado sobre os efeitos do aquecimento global em Mato Grosso e reúne informações que podem auxiliar na criação de políticas públicas voltadas à adaptação e à redução dos impactos ambientais.
O período de julho também chama atenção por coincidir com a fase de estiagem no Estado, que se estende até aproximadamente outubro. Com a redução das chuvas, queda da umidade do ar e vegetação mais seca, aumenta o risco de incêndios florestais e queimadas, que podem se espalhar rapidamente e provocar grandes danos ambientais.
O livro é resultado de três anos de pesquisas e discussões realizadas pela Câmara Setorial Temática de Mudanças Climáticas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (SEMC-ALMT), com participação de mais de 50 pesquisadores, especialistas e representantes da sociedade civil.
A produção contou com uma equipe multidisciplinar responsável pela organização dos indicadores, análises técnicas e elaboração de mapas georreferenciados que mostram diferentes cenários climáticos para o Estado.
Com linguagem acessível, a obra reúne mais de 18 mapas, gráficos e indicadores que projetam possíveis impactos entre os anos de 2030 e 2050, considerando cenários com diferentes níveis de adoção de políticas públicas de adaptação.
Entre os principais pontos analisados estão o aumento das temperaturas, períodos prolongados de seca, ondas de calor, crescimento dos incêndios florestais, chuvas intensas e os reflexos desses fenômenos na saúde da população, infraestrutura, cidades e produção agropecuária.
A publicação também conta com contribuições do climatologista Carlos Nobre, pesquisador reconhecido internacionalmente e integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ele destacou que a Amazônia enfrenta uma mudança preocupante em seu papel ambiental, deixando de atuar apenas como grande absorvedora de carbono e passando a apresentar sinais de emissão.
Segundo o pesquisador, o avanço do desmatamento e o aumento das temperaturas podem comprometer significativamente a preservação da floresta nas próximas décadas.
O estudo aponta que Mato Grosso precisa ampliar medidas de adaptação climática e acelerar políticas voltadas à prevenção e enfrentamento dos efeitos das mudanças ambientais.
A publicação foi construída com base em dados do IPCC/ONU e em pesquisas científicas específicas sobre a realidade mato-grossense. O objetivo é oferecer suporte para gestores públicos, parlamentares e municípios na elaboração de ações voltadas à proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável.
Entre as áreas prioritárias estão o combate aos incêndios florestais, planejamento urbano, fortalecimento da infraestrutura, proteção dos recursos hídricos, saúde pública e incentivo a modelos de produção mais sustentáveis.

O material também destaca iniciativas positivas desenvolvidas no setor agropecuário brasileiro, que ajudaram na redução das emissões de gases de efeito estufa e podem servir como referência para novas estratégias ambientais.
Parte das discussões relacionadas ao estudo foi apresentada durante a COP30, realizada em Belém (PA), reforçando a importância da participação de estados e municípios no cumprimento das metas climáticas.
Neste mês dedicado à proteção das florestas, o livro “Indicadores do Clima em Mato Grosso” reforça que a conservação dos ecossistemas é fundamental para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Além de proteger a biodiversidade, a preservação ambiental contribui para a segurança hídrica, equilíbrio climático e melhoria da qualidade de vida das próximas gerações.
A publicação busca transformar dados científicos em informação estratégica, ajudando Mato Grosso a se preparar para um futuro marcado por novos desafios ambientais.