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Após decidir por novas mudanças, Bap inicia busca por substituto de Boto no Flamengo

Pressionado nos bastidores, diretor de futebol José Boto pode deixar o Flamengo; presidente Bap avalia mudanças profundas no departamento e já observa possíveis substitutos

Data: 06/03/2026 - Por: Da Redação


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   Crédito Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

A turbulência nos bastidores do Flamengo não deve se limitar apenas à saída do técnico Filipe Luís. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, também estuda mudanças no comando do departamento de futebol e iniciou conversas para encontrar um substituto para o diretor José Boto.

O dirigente português enfrenta forte desgaste interno. Nos corredores do Ninho do Urubu, relatos apontam insatisfação tanto de jogadores quanto de funcionários com sua forma de conduzir o trabalho e o relacionamento no clube. O distanciamento do elenco e alguns métodos adotados pelo diretor passaram a ser questionados nas últimas semanas, colocando sua permanência em risco. A informação foi divulgada inicialmente pela ESPN.

Diante desse cenário, Bap começou a sondar possíveis nomes para assumir o futebol rubro-negro. Entre os avaliados está o ex-zagueiro Fábio Luciano, ídolo do clube e atualmente comentarista esportivo. Outro nome cogitado foi o de Edu Gaspar, que está deixando o Nottingham Forest, embora ainda não tenha sido procurado oficialmente.

A diretoria, no entanto, ainda não definiu qual será o formato da nova estrutura do departamento. O presidente analisa se manterá um único dirigente com amplos poderes sobre o futebol ou se dividirá a função entre dois profissionais: um com perfil executivo, responsável por negociações e mercado, e outro mais próximo do elenco, encarregado da gestão do vestiário. Até que essa decisão seja tomada e um substituto seja contratado, José Boto segue no cargo.

Episódios aumentaram a pressão

A condução da demissão de Filipe Luís aumentou a tensão nos bastidores do clube. Após a vitória sobre o Madureira, no Maracanã, Boto comunicou o desligamento do treinador em uma conversa muito rápida no vestiário. Na ocasião, afirmou que a decisão havia partido da presidência e que ele não concordava com a medida, atitude que desagradou Bap.

Alguns dias depois, durante a apresentação do novo técnico Leonardo Jardim, o diretor mudou a postura e afirmou ter participado da decisão, listando motivos para a saída de Filipe Luís e indicando Jardim como alternativa para assumir o comando da equipe.

Outro episódio que repercutiu negativamente foi uma reunião com o elenco, na qual Boto chamou os jogadores de “irresponsáveis”. A declaração gerou desconforto dentro do clube e ampliou o desgaste do dirigente com o grupo.

Problemas vêm desde o ano passado

A relação entre José Boto e a diretoria já apresentava sinais de desgaste desde 2025. O dirigente passou por momentos de pressão, como no caso do vazamento de mensagens que mencionavam a possibilidade de venda do atacante Pedro por cerca de 15 milhões de euros.

Outro ponto de divergência foi a tentativa de contratação do atacante Mikey Johnston, negociação que acabou barrada pelo presidente. Além disso, Boto defendia a permanência de Filipe Luís no comando técnico, enquanto Bap já cogitava buscar outro treinador — opção que acabou se concretizando com a chegada de Leonardo Jardim.

Planejamento do Carioca gerou novo conflito

A crise mais recente teve origem no planejamento do início da temporada. A ideia da diretoria era utilizar a equipe sub-20 nas primeiras rodadas do Campeonato Carioca, permitindo que o elenco principal tivesse mais tempo de descanso e preparação na pré-temporada.

Com o fraco desempenho dos jovens — apenas um ponto conquistado em três jogos —, Bap decidiu antecipar o retorno dos profissionais. A mudança desagradou Filipe Luís e José Boto, e o vazamento da decisão atribuindo toda a responsabilidade ao presidente acabou irritando ainda mais o mandatário.

Contratado no início de 2025 com a missão de modernizar o setor de futebol e fortalecer o departamento de scouting, Boto prometeu mudanças na forma de atuação do Flamengo no mercado. Entretanto, internamente há críticas de que os resultados não corresponderam às expectativas, especialmente diante de contratações feitas com alto investimento.

Com o ambiente interno desgastado, a permanência do dirigente depende agora da definição do novo modelo de gestão que será adotado pela presidência para o futebol rubro-negro.










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