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Por maioria de votos (4 a 1), os auditores entenderam que o atleta agiu contra a ética desportiva, enquadrando-o no artigo 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD)
Data: 04/09/2025 - Por: Da Redação
O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi suspenso por 12 partidas após julgamento realizado nesta quinta-feira (4) no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O processo se refere ao episódio em que o jogador teria forçado um cartão amarelo durante partida contra o Santos, no Mané Garrincha, em novembro de 2023, fato que levantou suspeitas de favorecimento a apostadores. A sessão se estendeu por mais de oito horas.
Por maioria de votos (4 a 1), os auditores entenderam que o atleta agiu contra a ética desportiva, enquadrando-o no artigo 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Além da suspensão, Bruno Henrique foi multado em R$ 60 mil. Ele foi absolvido da acusação mais grave, prevista no artigo 243, que trata de manipulação de resultados.
A defesa do atacante, conduzida pelo advogado Alexandre Vitorino, contestou as acusações. O próprio jogador participou por videoconferência, declarou-se inocente e fez um breve pronunciamento. Representantes jurídicos do Flamengo, entre eles Michel Assef Filho e Flavio Willeman, também acompanharam o julgamento.
O clube anunciou que irá recorrer da decisão. Até que o caso seja julgado pelo Pleno do STJD, a equipe deve solicitar efeito suspensivo, que pode permitir que Bruno Henrique atue normalmente. A legislação garante o pedido a partir de dois jogos de punição, mas, por se tratar de um caso considerado grave, não está descartada uma negativa.
Além de Bruno Henrique, outros quatro atletas amadores foram denunciados pela Procuradoria. Três deles participaram de forma remota: Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos. Já Wander Nunes Pinto Júnior, irmão do atacante, foi representado por um advogado.
A denúncia do STJD incluiu diversos artigos do CBJD (243, 243-A, 184 e 191) e dispositivos do regulamento geral de competições da CBF.
Paralelamente à esfera esportiva, Bruno Henrique responde na Justiça Federal. Em abril, a Polícia Federal indiciou o jogador por fraude esportiva, com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê pena de dois a seis anos de prisão. A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal foi aceita, tornando o atacante réu.
Segundo as investigações, Bruno Henrique teria comunicado ao irmão que receberia um cartão amarelo no jogo contra o Santos, quando estava pendurado com dois cartões. A partir dessa informação, familiares e amigos de Wander realizaram apostas específicas sobre a advertência, o que despertou suspeitas das casas de apostas pelo volume de dinheiro envolvido.
Entre os investigados estão o próprio irmão do atleta, Wander, sua esposa Ludymilla Araújo Lima, a prima Poliana Ester Nunes Cardoso e amigos próximos. Mensagens encontradas no celular de Wander durante operação da Polícia Federal, realizada em novembro de 2023, reforçaram as suspeitas e embasaram o indiciamento.